terça-feira, 3 de agosto de 2010

É como se Alannis Morissette tivesse que escolher entre um “plano de previdência” e “uma aposentadoria tranquila”

De São Paulo, SP.

Por quê? Porque é irônico.....


Aponte uma instituição que oferece programas de previdência complementar e será fácil encontrar uma que oferece planos complexos, sofisticados, que confundem os participantes e - mais importante - não garantem que ele terá uma renda adequada na aposentadoria.

“Tudo deveria ser feito o mais simples possível, nem mais, nem menos simples”
- Albert Einstein


Você não se sente um pouco superior quando um amigo ou familiar “apanha” de um desses produtos eletrônicos cheios de dispositivos tecnológicos que você já sabe usar, mas eles ainda não?

Você sabe do que estou falando e o que acontece quando alguém tenta operar um desses produtos pela primeira vez. Pode ser um Iphone, uma câmera de video digital ou uma dessas TVs com Leds. São aparelhos sofisticados e com funções que vão muito além da sua necessidade básica.

O problema é que a vasta maioria das soluções, sejam produtos ou serviços, não passaria no teste do “bom-o-suficiente”. Mas você há de perguntar: que teste é esse?

O teste do bom-o-suficiente é aquele que desafia o senso comum de que o melhor é um produto com o maior número de dispositivos possível. Ele mostra que a partir do momento que você cria uma solução que atende 60% das necessidades médias de uma pessoa, passa a vigorar a “lei dos retornos decrescentes”.

Segundo a “lei dos retornos decrescentes”, na medida em que são adicionados novos dispositivos a um produto, para solucionar problemas não-essenciais, você acaba criando um produto tão complexo que ninguém vai usá-lo.

Exemplos de produtos que passaram no teste do bom-o-suficiente estão em todo lugar a sua volta. Pense nos arquivos MP3, no pen-drive e no Skype.

Cada uma dessas soluções atende de forma simples a uma necessidade do consumidor. Continuam fazendo sucesso mesmo diante de produtos rivais que agregam mais dispositivos, funcionalidades e qualidade.

Como isso é possível? A resposta é simples: a solução que oferecem é mais barata, mais conveniente e mais fácil de usar. Em outras palavras, ao evitarem a complexidade, os consumidores realmente os usam porque atendem a suas necessidades básicas.

A graça toda dessa história some quando é o seu futuro que está em jogo. Porque é isso que também acontece com os planos de previdência complementar.

No jogo entre as empresas, os planos de previdência complementar corporativos procuram acrescentar mais vantagens do que os oferecidos pelas empresas concorrentes.

O participante é convencido a concentrar no plano da empresa toda a sua poupança para a aposentadoria, jogando-se às favas a importância da diversificação de riscos. Planos que não pagam renda vitalícia ao participante representam hoje 99,99% dos novos planos no mercado nos fundos de pensão e em caso de invalidez e morte o benefício se restringe ao valor acumulado no saldo de conta, algo díficil de rotular de “previdência”

Paralelamente, no mundo dos planos individuais, características técnicas essenciais do produto não são devidamente explicadas ao consumidor, que fica sem saber o impacto sobre a renda futura advindo da tábua de mortalidade e da taxa de juros garantida pela seguradora na fase de concessão da renda.

Os consumidores não tem a disposição opções fartas de aconselhamento financeiro independente e isento e as raras alternativas, não estão ao alcande de todos já que custam....

Oferecer mais “funcionalidades” (benefícios) é visto como vantagem competitiva no mercado de previdência complementar. Só que, frequentemente, isso é feito em detrimento do que deveria ser o verdadeiro foco: tornar o plano fácil de entender.

Por tudo isso, é praticamente impossível ao participante quantificar sozinho, com alguma segurança, a renda que pode esperar receber na aposentadoria. Nem planos corporativos, nem individuais, informam ao participante ano-a-ano a renda vitalícia que ele/ela acumulou proporcionalmente no período.

A grande maioria daqueles que tem plano de previdência complementar no Brasil está num vôo as cegas e em direção a um futuro incerto.

E assim, muitos planos de previdência complementar representam para a maioria dos participantes uma ilusão de segurança, deixando de previní-los para o que ainda podem fazer em prol de uma aposentadoria verdadeiramente tranquila.

Irônico. Pelo menos é o que eu penso.

"It's a traffic jam when you're already late
It's a no-smoking sign on your cigarette break
It's like ten thousand spoons when all you need is a knife.."
And isn't it ironic ... don't you think..."

As empresas e seguradoras que oferecem planos de previdência complementar, sejam corporativos ou individuais, deveriam fornecer anualmente aos participantes um extrato informando o benefício mensal acumulado no período.

Deveriam alertá-los para a cobertura mínima requerida nos casos de invalidez e morte e, também, para a necessidade de manterem planos individuais em outras entidades de previdência, visando diversificar os riscos e aumentar os retornos.

Se não agirem assim, não estarão ajudando seus participantes a serem previdentes, estarão apenas transferindo um problema deles para o futuro!

Abraço,
Eder.


Fonte: Adaptado de Workforce Management – Kris Dunn / The HR Capitali$t

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